Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Infância

Sinto falta dos cheiros do pomar na fazenda dos meus avós, lá naquela infância distante, o cheiro do queijo sendo feito em uma tábua muito tosca onde minha avó sentada com outras mulheres, dava forma àquela massa branca, a dor do formigueiro que chutei por achar que era apenas um monte de areia e o ardor do álcool que minha mãe jogava no meu pé para aplacar a dor bizarra de ser uma criança tola ou de ser apenas uma criança.

Sinto falta do cheiro do curral e dos homens que marcavam o gado com ferro incandescente e da casa velha que ficava a frente, tendo sido ela a casa onde meu avô, a quem tão pouco conheci, cuidara dos 11 filhos que tivera com minha avó. Lembro ainda do pequeno açude onde um dia meu pai mergulhou perseguindo o único peixe que pescou em um dia inteiro e tinha lhe escapado das mãos. Era um tempo diferente tanto para ele quanto para ela.

Sinto falta do cavalo que não largava e mal devia sentir o meu peso em suas costas. Sinto falta daquele sossego e daquela paz que ninava a inocência infantil, minha e de minha irmã.

2 Comments:

Blogger Luiz Augusto said...

Saudadodoce,
Saudadochão,
Saudadocoice,
Saudadobão,
Saudadocê.

11:54 AM  
Anonymous Janine said...

Nó Shibuconei,
Você descreveu a minha infância! Só faltou falar das cobras.
É muito bom ler o que escreve. Acho que vou adotar o método do Luiz e ficar postando recados do tipo ão aão ão, atualização! É muito bom começar o dia com poesia!!
Saudades...

1:09 PM  

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