Domingo, Novembro 30, 2008

então...

Os próximos 6 posts são textos que não gostei(acho que todos), não consegui fazer (Janine), ou sei lá(...). Estavam guardados e como estou limpando minhas gavetas resolvi desovar para quem se interessar.



obs.: catucão num fica bravo comigo não! Janine.. desculpa.

obs2.: hoje bebi menos do que gostaria!

obs3.: RADIOHEAD!!!!!!!!!!

Janine

Janine. Janine é linda. Tem um abraço quebra costelas e o sorriso do Sol.

Janine é a minha Suzanne. Quisera eu ser Leonard para cantar Janine como ela merece.

a menina

A menina olhava para seu pai, o irmão segurava sua mão e dizia que eles iriam ficar bem. A menina olhava para o céu um tanto colorido naquele dia incomum, ela sentia aquela dor horrível de perder o homem que tanto ama. A menina olhava para tantas pessoas em volta, a menina sabia que seu pai era um bom homem. A menina olhava para o amanhã com um medo novo, um medo de dia seguinte, de mesa do café incompleta, de responsabilidade livre, de saudade eterna e gosto dos dias, um medo novo. A menina tinha agora a sabedoria que as pessoas têm quando se sentem realmente sós.

A menina hoje caminha procurando os sonhos e passos do pai que foi embora, procurando as lembranças dos sonhos infantis em terras distantes, construindo um lugar novo para acomodar esse amor e essa saudade.

busca

Busco uma palavra, um momento de simples eternidade e alegria. Sem o vento que canta e leva tudo embora, sem o tédio do cotidiano.

Busco um momento de criança, dessas não compreendidas, com sorriso pintado na face e um sussurro de estarei sempre aqui.

Busco uma poesia, uma que me acorde quando o mundo for dormir, que me diga no silêncio mais terno e com as palavras mais mudas de que na verdade ela sempre esteve aqui.

maria

Maria não estava mais confusa, tinha esquecido as equações complicadas que tinham lhe proposto. Achou suas respostas em outro lugar. Maria agora tinha aquele sorriso de quem ganha um presente novo, satisfação pelos caramelos pequeninos no bolso do vestido rodado. Maria tinha as mãos dadas com o domingo de Sol. Pequena Maria, pequena Maria, que belo vestido, que doces saborosos, que linda manhã.

Maria queria encontrar a todos, festejar como se fosse seu aniversário e mostrar a todos que estava feliz. Maria bateu nas portas, enfeitou as caixas de correio com flores e um convite rosa: Venham me encontrar, venha ver como estou feliz. Maria com seu vestido, Maria com seus caramelos, Maria e seu sorriso de domingo. Quem resiste a Maria? Quem diz não a pequena Maria?

Ao meio dia todos vieram. Vinham vestindo roupas bonitas, com cestas fartas e fitas nas mãos. Maria na colina acenava, Maria pequenina ajeitava seu vestido e punha um caramelo na boca. Pequena Maria, pequena Maria. Por que lembrar do antes? Maria tinha esquecido e queria que todos esquecessem. Maria pensou que todos tinham esquecido. Mas quem resiste à pequena Maria?

Maria, pequena, Maria. Partilhe suas respostas, mostre o seu lugar e nos leve para lá! Para termos um domingo como o seu. Para que o amanhã seja sempre amanhã.

salas

Incomodava o menino as salas abarrotadas de tantos seres castos. Falando pelos cotovelos e contando suas vantagens e dinheiros nos bolsos furados da moral duvidosa de cada um. Ficava escondido no canto, na quina mais afastada do falso quadrado que era seu lugar. Fingindo ser um deles ou ele mesmo. Um fingimento. Uma doença confessa. Um encosto que o amava e o partia.

Tinha receio pelo rumo das conversas alheias, da sujeira nas paredes e olhares esguios sobre os ombros. Pesava-lhe os egos mais do que o seu próprio. Congeladas as pernas, sonhava em afundar no chão ou voar pela janela. Odiava então sua educação cristã. Distraía-se com pastilhas de hortelã, brancas como dentes, as mastigava, imaginando que os pedaços partidos eram os seus próprios. Uma infantilidade mórbida, mas ainda sim muito divertida para o menino.

Adaptava-se do modo que podia, negava impulsos, engolia alguns sentimentos, rangia os dentes quando sozinho. Adaptava-se. Ou melhor. Comportava-se como esperavam. Para que chamar atenção? Seus pais estavam ocupados, os professores o aborreciam, não tinha amigos naquele reino de castas. Incógnito era melhor.

sonho

Eu sonho com uma raiva e uma ira que não sinto, eu sonho com um furor tão intenso que me arranque os pulmões com um grito, que me estoure as veias e me mate como mata uma morte de cinema. Eu sempre erro o troco.

Eu sonho com um desejo que não sinto, com uma pedra pesada e pesada, mas que não afunda. Eu quero a lança e o estigma. Eu quero que a sala exploda.

Eu sonho os sonhos tortos, com a morte da geometria e do 2+2, eu quero as hachuras do esboço e o sonho. Eu quero dormir.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Infância

Sinto falta dos cheiros do pomar na fazenda dos meus avós, lá naquela infância distante, o cheiro do queijo sendo feito em uma tábua muito tosca onde minha avó sentada com outras mulheres, dava forma àquela massa branca, a dor do formigueiro que chutei por achar que era apenas um monte de areia e o ardor do álcool que minha mãe jogava no meu pé para aplacar a dor bizarra de ser uma criança tola ou de ser apenas uma criança.

Sinto falta do cheiro do curral e dos homens que marcavam o gado com ferro incandescente e da casa velha que ficava a frente, tendo sido ela a casa onde meu avô, a quem tão pouco conheci, cuidara dos 11 filhos que tivera com minha avó. Lembro ainda do pequeno açude onde um dia meu pai mergulhou perseguindo o único peixe que pescou em um dia inteiro e tinha lhe escapado das mãos. Era um tempo diferente tanto para ele quanto para ela.

Sinto falta do cavalo que não largava e mal devia sentir o meu peso em suas costas. Sinto falta daquele sossego e daquela paz que ninava a inocência infantil, minha e de minha irmã.